quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Máquina de escrever - 27


Eu queria estar com você todos os dias. Nos frios, e nos menos frios. Eu queria estar com você em todos os lugares. No cinema, em casa, na cama, na rua, na mesa, no banho. Eu quero ouvir todas as suas histórias. As com graça. As sem. As sem jeito, as inventadas. As passadas, as atuais. Queria secar suas lágrimas. As felizes e as tristes. Queria fazer você rir. De mim e por mim. E comigo. Eu queria te ajudar a escolher um moletom, um tênis. Um prato no cardápio. Um vinho, um refri. Uma viagem, um travesseiro. Um filme e uma bebida quente. Leite com café ou com chocolate? Tanto faz. Comédia ou terror? Qualquer um. Desde que você não desgrudasse de mim.

Máquina de escrever - 26


 Eu estava assim, vagando. Eu me procurava onde eu não devia. Eu olhava pra espelhos quebrados pensando que o que eu via ali era o meu reflexo perfeito. Mas aí, um dia... Desses comuns. Eu te disse uma palavra e você disse outra de volta. E nós não precisamos forçar nada pra que isso acontecesse. Eu fui te ver. Droga, como eu estava nervoso! Nós tínhamos 10 minutos. 10 minutos dá pra conversar bastante. Mas não deu. Eu engoli as tentativas de diálogo e minha palavras fugiam da minha boca a tal velocidade que elas podiam vencer a fórmula 1. 2 Minutos. Talvez menos. Foi o que eu consegui ficar perto de você. Eu queria ficar mais... Ah, como queria. Mas eu não pude. O magnetismo que me puxava me expelia. A forma como você me tocou, me abordou... “ O que você está fazendo perdido aqui?” você perguntou. E olha, eu não estava perdido até eu virar e me deparar com seus olhos. E seu sorriso.
 Os abraços e aquelas sensações todas me fizeram querer mais. Eu precisava te ver de novo, ter mais algo pra falar com você. E fui. Pensei mil vezes ‘fique calmo, calmo, calmo. Tudo vai dar certo.’. Eu cheguei lá e você não estava. Mas quando chegou... Era como se junto tivesse vindo um vendaval. Um vendaval bom. Quando me viu, você pareceu desconsertado. E como eu queria consertá-lo de volta. Dessa vez, você quem estava sem graça. Derrubou o que tinha no caminho e me olhou vermelho, envergonhado. Como podia ficar ainda mais bonito? Eu estava calmo (o mais calmo que pude), já você, um furacão. Como se toda a minha afobação de dias atrás tivesse, dessa vez, caído em você. E do jeito que eu fugi, dizendo que eu tinha hora marcada, você se foi, dessa vez sem se despedir. Gritou um “até a próxima”. Desnecessário, a essa altura do campeonato, me fazer tremer. Se eu caísse, você não estaria mais não por perto para me segurar. E eu quem ficaria vermelho dessa vez.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Máquina de escrever - 25.

Eu sempre quis uma pessoa pra deitar comigo na grama, sorrir um bocado. Eu poderia cantarolar no teu ouvido todas as músicas mais lindas que já me aqueceram o coração enquanto eu ouvia pensando em você. Eu poderia te escrever cartas, poemas, livros, cancões de ninar. Que é pra ver se você nina em mim. E foca em mim. E ama a mim. Fala comigo, sente minha falta. Me liga, me chama. Me canta, me ama. Eu vou sorrir. Você só precisa querer. Eu queria esquecer...

domingo, 14 de outubro de 2012

Máquina de escrever - 24


Quando crianças, somos genuínamente felizes. Quando adolescemos e temos nosso coração partido pela primeira vez, viramos outra pessoa. Os sorrisos são forçados e casuais, e alegria é periódica e rara. Quando adultos, eu ainda não descobri. Mas espero que se pareça mais a minha infância...

Máquina de escrever - 23

Você merece um beijo por colocar um sorriso na minha boca. E se eu te der um beijo, vou ter outro sorriso na boca. Daí você vai merecer mais um beijo, e eu vou ganhando mais um sorriso. É um ciclo vicioso em que eu não me canso de ser feliz e de te dar uns beijinhos. Ficando ainda mais feliz e te dando ainda mais beijinhos. E mais feliz. E mais beijinhos. E abraços. E carinhos. E risinhos. 

sábado, 6 de outubro de 2012

Máquina de escrever - 22

E eu acho que a minha sina é essa. Amar quem não vou ter. Sonhar com o que não concretiza. Fazer planos que voarão com o vento e esperar por coisas que eu sei que o tempo me arrasta pra longe. Ver coisas que não existem, ouvir coisas que não foram ditas. Imaginar o que não existe. Querer o que não devo, e tentar até cansar de cair. O apego vem rápido, mas a queda vem mais rápido ainda. As lágimas não chegam, mas a dor no peito não sai. Nunca.

Máquina de escrever - 21

Acho que eu já sinto sua falta o bastante pra querer te ligar. Mas sinto medo o bastante pra me esconder.